Prefácio

Esta é uma obra pela qual estávamos esperando. Não só os profissionais da saúde, mas todos nós que, como humanos, estamos expostos às doenças, ao envelhecimento e à morte. Encontrar ao longo destas páginas o aco- lhimento a saberes terapêuticos tradicionais que minimizam sofrimento de gerações sem conta é, sem dúvida, motivo de celebração.

Tais saberes tiveram origem em culturas distantes, com desafios his- tóricos e geográficos diversos, contudo, criaram, através da observação e experimentação, repertórios de intervenção eficientes para promover a harmonia entre corpo, mente e espírito, que ativa a sabedoria intrínse- ca do corpo, fortalecendo os mecanismos imunitários e evitando, desse modo, a incidência das doenças.

O empenho das últimas décadas para superar a fragmentação, o ime- diatismo e a supersimplificação – que caracterizam o pensamento linear prevalente na cultura ocidental – encontra na Medicina Integrativa um antecedente promissor no acolhimento de várias disciplinas que ofere- cem seus conhecimentos para, tecendo relações de intercâmbio mútuo, viabilizar uma percepção ampliada da saúde e do papel do médico e do paciente. Hoje temos evidências de que fatores sociais e psicológicos, bem como fé e convicções filosóficas, podem proteger uma pessoa das doenças ou aumentar sua suscetibilidade a elas.

Neste sentido, bem sabemos que o estilo de vida é uma variável que não pode ser ignorada. Pesquisas sobre estresse realizadas no mundo todo, a partir das observações do Dr. Hans Selye, nos anos 1950, são re- veladoras ao sinalizar que doenças cardiovasculares, diabetes, cânceres, doenças respiratórias crônicas e doenças neuropsiquiátricas estão rela- cionadas ao estresse.

E o estresse é a moeda corrente nesses tempos vorazes. Há tanta ofer- ta! Tantos livros para ler; comidas para experimentar; viagens a lugares paradisíacos; filmes imperdíveis; empreendimentos lucrativos... ah, me esquecia: redes sociais para curtir; WhatsApp para partilhar; aplicativos para instalar; e-mails para responder... quando? Se todos nos queixamos que falta tempo. Então, corremos atrás do que “não podemos perder” e ofegantes acabamos nos jardins da ansiedade, da depressão, da frus- tação, do medo de não estar à altura do que se espera de nós ou de não sermos inovadores e criativos. Remédio: Confúcio – “nada é o bastante para quem considera pouco o que é suficiente”.

Quando a Medicina Integrativa abre espaço à espiritualidade, às prá- ticas meditativas, ioga, medicina chinesa ou ayurvédica, lian gong, tai chi, reconhece que em todas elas há conteúdos potencializadores de uma vida saudável, uma vez que prescrevem reflexão, moderação e convidam a apreciar dimensões que nos conectam conosco mesmo, com nossos se- melhantes e com o planeta que nos sustenta incessantemente.

A Medicina Integrativa convoca ainda o paciente a construir uma par- ceria com o médico a fim de implementar o autocuidado, participando na responsabilidade da manutenção da saúde. Isso gera autoconfiança no paciente e desperta o senso da proatividade quanto à qualidade de vida que se deseja alcançar.

Esses avanços significativos que podemos verificar em menos de uma década de sua implementação no Brasil, pelo pioneirismo entusiasta do Dr. Paulo de Tarso Lima e do Hospital Israelita Albert Einstein, são indi- cativos de um potencial transformador na formação das novas gerações de médicos e profissionais da saúde, que poderão contar com as evidên- cias científicas de centenas de pesquisas que já estão em curso em univer- sidades brasileiras e que resultam da vocação humana de querer saber e descobrir significados nas profundezas inesgotáveis da Vida.

Lia Diskin
Cofundadora
Associação Palas Athena

Apresentação

Apresentamos a 2a edição, revista e ampliada, de nosso Manual Einstein em Medicina Integrativa. Ao rever um ciclo de 10 anos de nossa atuação clínica e acadêmica em Medicina Integrativa, associado às sugestões de nossos alunos, a demanda por uma nova edição se tornou absolutamente legítima.

Cada vez mais, o caminho da atuação profissional no campo da saúde e promoção de bem-estar se alinha com uma associação de terapias e abordagens médicas complexas e precisas, com uma escuta e um suporte humanizado. Em relação ao suporte humanizado, a motivação que nos alimenta é sempre a possibilidade de acolher nossos pacientes e clientes de forma integral e holística, não na sua subjetividade, mas sim na objeti- vidade de acolher esta pessoa, de fato, em sua inteireza. Com base nestas observações, 7 novos capítulos foram agregados a nosso Manual, 5 deles focados nas questões da escuta, do inconsciente e de como utilizar estas informações na prática clínica.

Revisando o manual como um todo, creio que os leitores encontrarão uma obra moderna, atualizada e voltada à realidade de nosso momento. Mais do que um texto teórico, nosso desejo é mobilizar o leitor a assuntos de vanguarda e, sobretudo, a como transformar todo esse conhecimento informado em evidências em sua prática clínica do cuidado em saúde.

Introdução

Com a mudança do perfil do paciente, agora muito mais informado sobre os métodos e alternativas para o seu cuidado, é cada vez mais comum a busca por terapias complementares que oferecem alívio ao corpo, à mente e ao espírito. Mais do que uma tendência, a Medicina Integrativa é uma porta que leva cada pessoa – seja paciente ou profissional da saúde - ao caminho do autoconhecimento e da evolução.

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