Prefácio

Medicina integrativa é uma abordagem médica orientada para a cura (healing), tendo como um foco o cuidado do paciente como um todo – mente, corpo, espírito e estilo de vida. Além disso, enfatiza o relacionamento terapêutico e emprega todas as terapias adequadas para cada caso, tanto as convencionais como as complementares. No entanto, medicina integrativa não é sinônimo de medicina alternativa ou complementar, pois não rejeita a medicina convencional e tampouco aceita tratamentos complementares sem um olhar critico.

Em rápida ascensão nos Estados Unidos - principalmente devido ao colapso do sistema de saúde, provocados pelos elevados custos da medicina de alta tecnologia - a medicina integrativa vem sendo encarada com seriedade. Um dos principais motivos é a consciência de que a sua pratica reduz os custos de duas maneiras: deslocando o foco dos tratamentos da doença para a promoção da saúde, por meio do cuidado com o estilo de vida, enfatizando o potencial inato de recuperação do organismo; oferecendo e popularizando tratamentos mais baratos cujos resultados são tão bons ou melhores que os remédios alopáticos e outras terapias convencionais.

Entre as diretrizes da medicina integrativa estão, por exemplo, mudanças na dieta, suplementos alimentares, recomendação da prática de atividades físicas, redução de estresse, terapias do corpo e mente ou utilização de orientações de sistemas de saúde orientais, como a medicina tradicional chinesa, em adição ao uso seletivo das terapias convencionais. Como esses tratamentos são customizados para cada paciente, pesquisa-los se constitui um desafio.

Atualmente, são fundamentais as pesquisas que comparam a gestão integrativa com a gestão convencional dos problemas de saúde mais comuns, especialmente aqueles que absorvem muito dinheiro do sistema de saúde. Por isso, quanto mais dados tivermos sobre a eficácia da medicina integrativa, mais fácil será promover um avanço na área e mudar a prioridade da distribuição das verbas, que hoje cobrem tratamentos convencionais caros.

Os profissionais de saúde estão cada vez mais atraídos pela medicina integrativa, pois reconhecem seu potencial de recuperar os valores que formam o núcleo da prática médica, valores esses que fragmentaram no correr da era da medicina orientada pelo lucro. No entanto, a demanda de médicos treinados para colocar em prática a medicina integrativa ainda excede a oferta. O centro de Medicina Integrativa da Universidade do Arizona, fundado por mim em 1994, já graduou mais de quinhentos médicos (e alguns enfermeiros). Muitos deles hoje dirigem programas de medicina integrativa em diversas instituições. Outros dão treinamentos a profissionais. Outros, ainda, são autores de importantes textos na área. Esse é o caso do autor deste livro, Paulo de Tarso Lima, ex-aluno do Centro que hoje faz parte do grupo de médicos e profissionais de saúde que se dedicam à promoção, difusão e implementação da medicina integrativa no Brasil e na America Latina.

Esta é a primeira obra em português que discute o assunto de forma clara de concisa, apresentando a nova abordagem tanto para o leigo como para o profissional da área. Também contribui para a implementação de novos centros de cuidados médicos, pesquisa e educação. Por tudo isso, acredito que este livro se transformará em excelente referência para o campo da medicina integrativa.

Dr. Andrew T. Weil
Autor de diversos livros sobre saúde e medicina
Incluídos na lista de Best-sellers do The New York Times
Fundador e diretor do Centro de Medicina Integrativa

Apresentação

A medicina integrativa está ganhando maior aceitação nos Estados Unidos e em todo o mundo ocidental. É uma abordagem que valoriza os avanços da medicina moderna, mas ao mesmo tempo respeita a longa história da medicina complementar e dos sistemas médicos orientais. O novo modelo une o que há de melhor em ambas, sempre com base em evidências científicas. A medicina integrativa enfatiza a necessidade de acolher a pessoa como um todo: incluindo corpo, mente e espírito. Essa abordagem realça que não é somente o médico quem fornece a cura, destacando também a participação ativa do paciente – por meio de medidas simples tais como a prática de exercícios físicos, a adoção de uma dieta adequada, a gestão do estresse, entre outras atitudes – para a maximização de sua saúde. Ela realça também a primazia do relacionamento entre paciente e decisão. Não é apenas o especialista quem decide, esse é um processo que combina a opinião da equipe de médicos, do paciente e de sua família.

Nos Estados Unidos, 44 das 125 faculdades de medicina já adotam esse modelo, executando-o tanto na prática clinica como nas áreas de educação e pesquisa. Em muitas outras faculdades a medicina integrativa esta ganhando impulso e tornando-se cada vez mais aceita.

Após múltiplas experiências educacionais, o Dr. Paulo de Tarso Lima esta se transformando no pioneiro dessa área na América do Sul, sendo um dos poucos médicos que tomaram o desafio de propor e implementar tal abordagem no Brasil. Por meio deste livro, o Dr. Lima transmite ao público brasileiro o que a medicina integrativa realmente é. No meu conhecimento, este é o primeiro livre escrito sobre a medicina integrativa em português. O Dr. Lima contribui com outro aspecto importante que não é conhecido nos Estados Unidos: ele fala sobre a cura (healing) e o ato de ser curado. Para a minha surpresa, não há nenhuma palavra similar em português (healing x cure), por isso um dos assuntos abordados em seu livro é a “saúde além da cura”, o que reflete muito bem o valor adicionado do processo inato de cura (healing). Na obra, o autor esclarece a importância desse processo, evidenciando o valor da redução de estresse e da alimentação. Vejo este livro como uma grande contribuição para a compreensão e a expansão dessa nova abordagem da medicina no Brasil.

Dr. Moshe Frenkel
Professor associado • diretor médico do Programa
de Medicina Integrativa do MD Anderson
Cancer Center, da Universidade do Texas
frenkelm@netvision.net.il

Introdução

A ciência médica teve um avanço incomparável no último século. Da descoberta da penicilina até o sequenciamento do genoma humano, passando pelas vacinas, transplantes e cirurgias de alta complexidade, um novo nível de conhecimento do corpo humano e de suas patologias foi alcançado. Temos ao nosso dispor um leque enorme e diversificado de terapias, exames de diagnóstico e medicamentos. É inquestionável que, com a soma de todos esses elementos, salvamos mais vidas do que jamais fomos capazes. Porém, não atingimos ainda um patamar no qual, além de tratar a doença, prevenimos de maneira eficaz seu surgimento - ou ao menos oferecemos oportunidades para que quem convive com determinada patologia, como doenças crônicas e tumores, tenha uma vida melhor e mais plena. A medicina tradicional, dessa maneira, tem aberto espaço para que pacientes façam suas buscas individuais em terapias complementares e alternativas, que geralmente se pautam pela oferta de um conforto e pelo alívio de sintomas. No entanto, sem orientação adequada, e com pouco diálogo com o profissional de saúde, essas buscas podem acabar sendo mais prejudiciais do que benéficas

Este livro pretende apresentar, de maneira clara e didática, a medicina integrativa, uma abordagem médica que se pauta justamente pela união dos avanços científicos com as terapias e práticas complementares cujas evidências científicas suportem sua segurança e eficácia. Meu objetivo como médico que compartilha dessa abordagem é olhar integralmente meu paciente, escolhendo as melhores práticas para ele, a partir da análise de sua história, seu momento, suas patologias, seus hábitos e seu estilo de vida - quando necessário, em sintonia com seu tratamento convencional. Nas páginas seguintes, além de apresentar aqui os conceitos que norteiam a medicina integrativa, sua origem nos Estados Unidos e sua abrangência pelo mundo, enfatizo também a importância de prestar atenção a alguns pontos vitais de nossa vida, como a respiração, a alimentação e o controle do estresse. Em tópicos, ofereço algumas dicas práticas que podem ser adotadas e seguidas em qualquer momento do dia - exercícios simples que nos tiram da correria cotidiana e nos trazem para nós mesmos. Posição básica para sermos capazes de exercermos a atenção e o autocuidado e, com isso, sermos mais saudáveis e vivermos melhor.

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